Governo de Pernambuco lança projeto de mitigação dos efeitos das mudanças climáticas em 20 territórios periféricos
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O Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação, lança esta semana, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), em Belém (PA), um pacote de ações para mitigação dos efeitos da mudanças climáticas em 20 territórios periféricos do Estado, com duração de um ano e investimento de R$ 2 milhões.
Intitulado PErifaClima, o projeto abrange a instalação de sensores meteorológicos comunitários de baixo custo, o desenvolvimento de uma plataforma digital colaborativa, a formação de agentes comunitários de monitoramento e educação climática e a criação dos Planos Comunitários de Redução de Risco e Adaptação (PCRA), entre outras ações.
O projeto será apresentado na quarta (12), ao meio-dia, na Zona Azul, espaço onde ocorrem as negociações oficiais, da Cúpula de Líderes e dos pavilhões nacionais. apenas Apenas delegações oficiais, chefes de Estado, observadores e imprensa credenciada têm acesso à Zona Azul, organizada pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC).
O PErifaClima é fruto de convênio entre o Governo do Estado de Pernambuco, a Universidade de Pernambuco (UPE), a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e a Rede Gera, articulação nacional e internacional de organizações, coletivos e instituições públicas e comunitárias voltada à promoção da justiça climática, da inovação social e do fortalecimento de territórios periféricos.
As ações incluem a instalação de 20 estações meteorológicas automáticas equipadas com conectividade 3G e alimentação por placa solar. As estações medem múltiplos parâmetros: temperatura, umidade, radiação solar e UV, precipitação, pressão atmosférica, direção e velocidade do vento. O secretário executivo de Periferias da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Pedro Ribeiro, adianta que o monitoramento inclui ainda a utilização de drones para captar as imagens das encostas com riscos de deslizamento e a aplicação de inteligência artificial para tratar os dados.
“O PErifaClima é uma estratégia comunitária de adaptação e mitigação dos riscos climáticos, desenvolvida para e com as periferias, porque são esses territórios que, historicamente, têm sido os mais impactados pelos desastres decorrentes das mudanças climáticas”, afirma Pedro Ribeiro.
As 20 comunidades de atuação do projeto, segundo o secretário executivo, ainda estão sendo selecionadas com base em critérios técnicos (locais vulnerabilidade climática) e sociais.
O projeto tem como objetivo central fortalecer a resiliência socioambiental de comunidades vulnerabilizadas, por meio da criação e consolidação de uma rede comunitária de governança, monitoramento e educação climática. A proposta articula tecnologia social, formação cidadã e planejamento participativo, promovendo o engajamento das populações locais na prevenção e mitigação dos riscos associados às mudanças do clima.
A plataforma digital PErifaClima será composta por dois módulos principais: o de monitoramento de desastres, que permitirá o acompanhamento de variáveis meteorológicas em tempo real, e educacional, voltado à disseminação de conteúdos formativos e informativos sobre letramento climático e gestão de riscos. Essa ferramenta integrará dados provenientes dos sensores comunitários e de instituições oficiais como APAC, INMET e CEMADEN, permitindo a emissão de alertas antecipados e o acesso público a informações qualificadas sobre condições climáticas e ambientais.
As etapas de implementação do PErifaClima incluem o planejamento e mobilização comunitária, a capacitação de agentes locais, a instalação da infraestrutura tecnológica e a consolidação da metodologia de monitoramento e adaptação climática. A execução será conduzida de forma integrada entre as universidades, o governo estadual e as organizações comunitárias, garantindo a articulação entre conhecimento científico e saberes locais.
Com investimento total de R$ 2 milhões, o PErifaClima contempla recursos destinados à coordenação executiva e serviços especializados, aquisição de equipamentos e sensores, bolsas para estudantes e agentes comunitários, além de materiais de apoio e comunicação. O projeto prevê a formação de 60 agentes comunitários, a realização de 20 oficinas participativas em diferentes regiões do estado e o desenvolvimento de conteúdos educativos sobre mudanças climáticas, monitoramento ambiental e redução de riscos de desastres.