Dragagem no Rio Beberibe e reurbanização em Peixinhos vão beneficiar mais de 10 mil famílias no Recife e em Olinda
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A intervenção prevê o desassoreamento de trecho do rio e a remoção de 339 mil toneladas de sedimentos, além da construção de equipamentos de convivência e habitacionais.
A dragagem de 5,5 quilômetros do Rio Beberibe e o projeto de urbanização integrada em Peixinhos visam transformar a infraestrutura no entorno de mais de 10 mil famílias residentes nas áreas limítrofes entre o Recife e Olinda. A intervenção prevê o desassoreamento, com a remoção de cerca de 339 mil toneladas de material sedimentado, a recomposição e ampliação da calha fluvial, além da estabilização de margens e encostas. O objetivo é aumentar a capacidade de escoamento das águas, conter alagamentos, remover resíduos e vegetação invasora e combater a degradação socioambiental da bacia fluvial.
Com investimento total previsto de aproximadamente R$ 457 milhões, o projeto está estruturado em dois grandes eixos de atuação. O primeiro é voltado especificamente aos serviços de dragagem, contenção das margens e limpeza da calha do Rio Beberibe, orçado em R$ 150 milhões. O segundo eixo abrange a requalificação urbana da comunidade de Peixinhos e a construção de 1096 Unidades Habitacionais, o que totaliza R$ 307 milhões em recursos conjuntos do Novo PAC/Periferia Viva e do tesouro estadual.
Além do desassoreamento do trecho compreendido entre a ponte do Monteiro e a foz, o plano de intervenções contempla a criação de parques lineares ao longo das margens, a implantação de ciclovias e a construção de áreas verdes de convivência. A proposta busca integrar engenharia e preservação ecológica para proteger as Áreas de Preservação Permanente (APPs), impedindo novas ocupações irregulares e garantindo espaço para o lazer e a mobilidade ativa da população local.
Morar Bem Pernambuco
As ações habitacionais se baseiam em uma estratégia de reassentamento, que envolve a provisão de soluções definitivas, dentro das modalidades do Morar Bem Pernambuco. O planejamento contempla a construção de 464 unidades habitacionais em terreno contíguo à Compesa, em Peixinhos, e a prospecção de cerca de 700 unidades via Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), com a elaboração de projetos para início da construção após a implantação dos parques lineares.
No âmbito do Programa Reforma no Lar, o Lote 1 já está em execução para a melhoria de 600 residências em Peixinhos. As intervenções abrangem serviços de pintura, instalações elétricas e hidráulicas, aplicação de revestimento cerâmico e reabilitação de coberturas, em investimentos de até R$ 18 mil por imóvel. O balanço indica 400 casas reformadas e 673 famílias cadastradas. O aporte financeiro acumulado atingiu R$ 7,2 milhões, com término da primeira etapa previsto para setembro de 2026 e atendimento subsequente de 400 unidades no Lote 2.
Os procedimentos de regularização fundiária na área também avançam, com a conclusão do levantamento topográfico e o andamento do cadastro socioeconômico de 698 famílias residentes no Núcleo Habitacional Peixinhos. A Pernambuco Participações (Perpart) contabiliza R$ 565 mil em desembolsos para o processo, que apresenta potencial total para a regularização de 759 unidades no núcleo urbano. Das 698 famílias cujos cadastros para fins de titulação foram concluídos, 439 estão regularizadas e aptas à titulação e 259 seguem cumprindo pendências documentais.
Mobilização social
Equipes articuladas pela Secretaria Executiva de Periferias da Seduh visitaram as comunidades de Ponte Preta, Arco-íris, Condor e Cabo Gato, que serão diretamente impactadas pela dragagem, promovendo reuniões e atividades de escuta, educação ambiental e comunicação social. O objetivo foi apresentar o projeto de dragagem e urbanização, tirando dúvidas e garantindo que a população participasse do processo.
As comunidades foram ouvidas durante a audiência pública realizada no início de julho e seguem sendo acompanhadas por meio do Posto Territorial de Peixinhos, espaço instituído pelo programa Periferia Viva para promover a escuta da população, o acompanhamento social da obra e o diálogo permanente com os moradores.
Além disso, está em andamento o cadastro técnico-social de todas as famílias que poderão ser removidas. Esse levantamento identifica a composição familiar e suas necessidades específicas, além das condições de moradia, permitindo que o processo de reassentamento seja planejado de forma responsável e que a solução habitacional oferecida seja compatível com a realidade de cada família.